ULTRAS: SUBIDAS, DESCIDAS OU PLANO - O QUE É MAIS IMPORTANTE?

15/01/2019 TRAIL RUNNING

Por Orlando Yamanaka - Engenheiro, empresário e atleta amador de trail running. Já correu algumas das mais importantes provas ao redor do mundo.
Como seria um corredor que unisse a destreza de Stian Angermund-Vik em descidas, a leveza de Anton Krupicka em subidas e a fluidez de Jim Walmsley em terrenos planos? Ou, uma corredora com a capacidade de subida de Anna Frost, a velocidade de Camille Herron no plano ou o domínio de Emelie Forsberg nas descidas? Seria invencível, não? Mas..., atleta invencível não existe em esporte algum. Agora... e se, todos os citados, em sua plena forma, alinhassem em uma mesma prova, poderia uma destas características colocar um atleta à frente dos outros em uma bolsa de apostas? 
A resposta provavelmente seria sim. Mas, a característica do percurso exerceria um papel extremamente relevante. 
Em provas planas, como a Western States, Javelina Jundred ou Tarawera, corredores velozes como Jim Walmsley, Rob Krar, Camille Herron ou Ellie Greenwood levariam vantagem. 
Em provas do circuito ISF estariam sempre à frente os bons escaladores e os que dominem as técnicas de descida, casos de Stian Angermund-Vik, Jonathan Albon, Ragna Debats ou Laura Orgué. 
Já em provas com circuito misto, como a UTMB, Hardrock ou Diagonale des Fous, levam vantagem corredores que não possuem alguma característica muito especial, mas que equilibram todas elas. Casos de François D’Haene, Luis Alberto Hernando, Caroline Chaverot ou Mimmi Kotka. 
Um parêntesis: naturalmente Kilian Jornet estaria presente na lista de favoritos de qualquer tipo de prova. Senhor de todas as distâncias, alturas e terrenos. Capaz de bater maratonistas em uma prova curta como Sierre Zinal: escaladores, como Angermund-Vik, em seu território ou dominar provas longas e mistas como Hardrock. 
A revista francesa Trails Endurance Mag, fez uma tabulação muito interessante dos 10 primeiros colocados da última edição da UTMB, detalhando os tempos em cada tipo de trecho – subidas (ascent), descidas (descent), plano (hilly) e paradas nos postos de ajuda (stop). Na tabela abaixo, os tempos dos cinco primeiros colocados. Interessante ver que os tempos nas descidas e no plano são muito próximos. As maiores diferenças estão nas subidas, que poderia ser um indicador de que esta característica poderia definir o vencedor também neste tipo de prova. François D’Haene venceu a prova muito mais pela diferença nas subidas, mas também pelo seu desempenho no plano. Por outro lado, Tim Tollefson chegou à frente de Thèvenard pelo seu tempo nas descidas, o que ressalta a necessidade de equilíbrio das três disciplinas nestas provas mistas.

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