Entrevista Fernanda Maciel

09/01/2020 TRAIL RUNNING

Ela é a atleta brasileira de Ultra Trail de mais sucesso no Circuito Mundial de Ultra Trail (UTWT), já foi 4º colocada no UTMB e Vice campeã do UTWT 2014.

No ranking do UTWT dos últimos 3 anos ela figura em 3ª geral feminina e comenta como foi seu ano competitivo.


Revista: Você foi a 3ª geral na transGranCanária mesmo tendo competido com pé torcido, como foi pra você?

Pra mim foi super difícil porque eu torci o pé treinando uma semana antes da prova, então eu tive que correr muito, a sorte é que eu conheço todos os fisioterapeutas da Gran Canária, por que já tem 7 anos que eu vou pra esta prova, então eu tive toda estrutura dos meus médicos aqui do Brasil como de lá falando o que eu tinha que fazer, então eu fiz vários tratamentos lá de choque para poder recuperar meu tornozelo e na verdade eu larguei meio sonolenta, um pouco desmotivada porque eu tinha muita dor e ainda depois de umas três horas correndo eu torci novamente o pé e aí eu fiquei com muita raiva e acabou que isso me acordou pra prova, sabe? Aí eu pensei: agora você engole o choro e acaba esta prova!

Daí foi muito bom, eu estava em segundo lugar, muito próxima da primeira e terceira, então foi uma prova super competitiva, que realmente eu tive que forçar mesmo e dar o máximo. No final eu sentia muita dor no pé e aí a americana tava bem fresca nos últimos quilômetros e perdi a segunda posição, mas fiquei super feliz com o TOP-3.

Essa prova deu os mesmos pontos que o UTMB e por isso ela foi super competitiva e por isso muitas atletas abandonam e ainda é no início do ano e ainda não estão com muita rodagem mas é uma prova super dura. Eu fiquei super feliz porque me deu mais de mil pontos no UTWT e foi o que me deu base para o restante do ano.  

Revista: DNF no UTMB, o que aconteceu?
Foi o ano que eu estava mais forte de todos, estava treinando com todas as atletas de elite, então eu estava realmente muito acima do meu usual então eu estava super confiante e quando eu tive o tombo bem no início, ali no Col du Bonhomme, eu fiquei super triste em abandonar, mas era muita dor e realmente era impossível continuar, eu iria somente me lesionar ainda mais. Eu fiquei três dias de muleta, não podia colocar o pé no chão, meu fêmur ficou fora do lugar e por isso doía tanto, assim como o musculo psoas e o tendão. Minha recuperação demorou mais de dois meses pra voltar, com muita fisioterapia, osteopatia e foi bem triste pra mim depois de tanta preparação e expectativa, mas é o jogo, pra mim ao mesmo tempo isso é normal, ano que vem eu estou de volta.  

Revista: UTMB e UTWT... o UTMB tem colocado bastante provas “by UTMB” para vc como atleta, seria melhor focar no UTWT ou o circuito UTMB lhe aparenta interessante?

Não acho que as provas by UTMB entrará em confronto com o UTWT, uma vez que o Circuito mundial já está bem solido, é bem antigo e os Ultra Runners focam bastante neste circuito e tem bastante prestigio, então eu acho que não haverá problemas. Meu foco como Ultramaratonista é em provas acima de 100km então pra mim é perfeito este circuito, mesmo porque ele dá várias opções de prova então facilita nossa logística também, entende?

O circuito UTMB tem poucas opções e muito longe uma da outra, fica difícil ir em todas, já no UTWT tem muita opção de prova e com muito prestígio, sem falar da qualidade de organização, competitividade, então isso pra gente é super importante.  

Revista: Skyrunning... você já foi 5ª geral no Skyrunning World Champs, vai tentar encaixar provas SKY no calendário?

Eu disputo o Skyrunning World Championship que acontece a cada dois anos, disputei em 2014, fui 7ª geral, em 2016, fui a 5ª geral e em 2018 não disputei porque era na Escócia três semanas depois do UTMB e agora em 2020 acontece na Espanha no início de julho e com certeza eu coloquei no meu calendário.

Revista: Por falar em calendário quando será divulgado o seu?

Eu ainda to definindo com minha treinadora, estou no início da minha base para toda temporada, mas já tenho certo que estarei no UTMB, MIUT porque a ela vai dar os mesmos pontos que a UTMB, devo competir a transGranCanaria, Wings for Life, que é uma prova que eu amo, que é uma prova de caridade, que ajuda as pessoas, eu amo este tipo de provas onde o foco não é a competição e sim ajudar o próximo, não sei em que país, mas eu vou competir e outras provas mais curtas como treino para poder estar bem preparada para as Ultras que são os focos do ano.  

Revista: Alguma prova brasileira pode entrar no seu calendário?
Não sei, é difícil. Eu venho umas quatro vezes por ano no Brasil, eu não posso fazer muitas ultras no ano, vc sabe, leva-se um mês, um mês e meio para recuperar e como eu tenho que focar no Circuito Mundial e nas provas alvos, se eu faço alguma prova aqui “que é meu sonho” eu pago lá na frente, porque fico muito fadigada para poder render bem nas provas que são meu foco.

As provas importantes no Brasil são numa época difícil, geralmente em junho, julho, agosto e setembro, é bem em cima da minha alta temporada das provas mais importantes lá fora, se tivesse uma boa prova em novembro ou fevereiro, seria perfeito, porque eu conseguiria encaixar no meu calendário.

Estaremos acompanhando de perto todo o Circuito Mundial de Ultra Trail e também a Fernanda Maciel por onde ela estiver competindo.

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